Governo do Distrito Federal
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29/11/18 às 15h59 - Atualizado em 3/12/18 às 11h25

Ocupação irregular do solo enriquece o crime organizado

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Joaquim São Pedro, Ascom – SSP/DF

 

 

A ocupação desordenada do solo é silenciosa. Do dia para a noite, terras públicas são ocupadas, negligenciando papel do Estado.  A sensação de impunidade e a corrupção encorajam a ação criminosa e colocam cidadãos de bem, desavisados ou não, na condição de reféns do crime organizado, que movimenta na atividade ilegal milionárias quantias em dinheiro.

 

As consequências do crime vão desde a especulação e desabastecimento de água ao aumento dos crimes contra a vida e contra o patrimônio. Diante de tantos desmandos, a atuação necessária de Estado pode acarretar derrubadas de edificações, prisões e prejuízos financeiros.

 

As invasões irregulares e criminosas são um problema crônico que vem de décadas. Acontece em diversos estados da Federação, onde o enfrentando, nem sempre exitoso, causa prejuízos sociais, políticos e econômicos. O mesmo ocorre no Distrito Federal, embora o governo Rollemberg tenha enfrentado o problema e apresentado as soluções durante toda a sua gestão.

 

No balanço que a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) apresentou, dos quatro anos do atual governo, durante o 3º Seminário de Combate à Grilagem de Terras, realizado nesta semana, 44.569.218,68 metros quadrados de terrenos pertencentes ao poder público foram retomados.

 

O evento, que aconteceu na Academia de Bombeiro do DF, contou com a participação do governador Rodrigo Rollemberg, secretários de estado e representantes do Poder Judiciário local.

 

O secretário da Segurança Pública e da Paz Social (SSP/DF), Cristiano Sampaio, disse, durante os trabalhos, que o crime de ocupação irregular do solo, a grilagem de terra e a venda ilegal são crimes que têm todas as características de crime organizado.

 

“Aí você tem quem ocupará, quem está monitorando, quem vai fazer as articulações para ter essas proteções. São pessoas especializadas que sabem exatamente como dividir o território, como prover a segurança, que muitas vezes vem junto. Você tem a dedicação específica para obter o lucro”, disse.

 

O secretário afirmou que o lucro com a ocupação irregular do solo é alto. E que esta seja, talvez a ação criminosa mais rentável do Distrito Federal:

 

“Quando alguém compra um lote irregular, uma quantia muito maior é gasta. O dinheiro irregular serve para fomentar a estrutura que, muitas vezes, tem responsabilidade de combatê-lo. Essa é outra característica das organizações criminosas, que é buscar permanentemente corromper agentes públicos, mesmo aqueles responsáveis pelas fiscalizações”.

 

Crime x sensação de insegurança

 

Segundo Cristiano Barbosa, a ocupação desordenada do solo é um problema grave, porque todas as irregularidades que envolvem as ações ilegais aumentam a própria criminalidade e a sensação de medo da sociedade.

 

O secretário chamou a atenção para a situação de Estados que hoje se deparam com problemas de toda ordem, devido à ocupação desordenada e a negligência do Estado.

 

“Basta olharmos para alguns estados vizinhos e a gente vê o que a ocupação desordenada provocou como um todo, e não só na questão da segurança”, observou.

 

Segundo o secretário, 15% da população do DF sofreu algum tipo de crime, mas 90% da população sente medo.

 

“Então, as pessoas sofrem muito mais com o medo do que com o crime. Este é o desafio, de enfrentar as duas questões com a consciência de que são coisas separadas”, disse.

 

De acordo com o secretário Cristiano Barbosa, o uso irregular do solo envolve as ações ilegais e podem aumentar a criminalidade e a sensação de medo da sociedade.