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Segunda, 09 Outubro 2017

Em seis meses, delegacia especializada registra quase 200 crimes virtuais

  Igor Nogueira
Em seis meses, delegacia especializada registra quase 200 crimes virtuais Foto: Jocilon Barbosa/Ascom SSPDF

Divulgação de fotos íntimas e fraudes em sites falsos estão da lista dos crimes mais cometidos na internet 

Desde março, o Distrito Federal conta com uma delegacia especializada em investigar crimes cometidos no ambiente virtual. Em seis meses, 185 casos foram registrados na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), entre eles, invasão de dispositivos informáticos – como computadores ou celulares, difamação, injúria e falsa identidade. 

A maioria dos crimes ocorre por meio de redes sociais. Segundo o delegado-chefe da DRCC, Giancarlos Zuliani, é comum os criminosos utilizarem perfis falsos com fotos que demonstram alto poder aquisitivo para enganar as vítimas e conseguir informações e fotos pessoais. “A vítima vendo uma pessoa bonita, bem vestida, acaba mandando fotos, íntimas em alguns casos. Quando o criminoso recebe as fotos, ele inicia um processo de extorsão”, detalha. 

Em outras situações, os autores conseguem obter imagens das vítimas, sem qualquer contato com elas, e as divulgam na internet, como foi o caso da atriz Carolina Dieckmann. Ela teve fotos íntimas expostas sem autorização. A repercussão do caso motivou a criação da Lei 12.737/12, que também leva o nome da atriz. Desde então, crimes cibernéticos passaram a ser punidos com multa e detenção de seis meses a dois anos. 

O balanço da delegacia especializada, que contabiliza também algumas ocorrências de outras unidades da Polícia Civil, reúne ainda registros de difamação, injúria, calúnia e até ameaças. Geralmente, são discussões entre pessoas nas redes sociais ou comentários desrespeitosos e preconceituosos. “Na internet, as pessoas acabam agindo de uma forma que não teriam coragem se estivessem de frente com as outras”, avalia o titular da DRCC. 

O usuário que pratica esses comportamentos pode ser investigado e identificado pela polícia.  A depender do caso, o conteúdo configura um crime contra a honra, podendo gerar sanções penais e também efeitos civis, como indenização. Para que a polícia possa ir atrás dos autores, entretanto, é preciso que a vítima denuncie o fato na delegacia mais próxima, já que trata-se de um crime considerado privado, ou seja, deve haver o interesse em comunicá-lo. 

Alerta

Na lista dos crimes virtuais identificados pela DRCC estão as fraudes comerciais ou bancárias. Pelo menos 40 ocorrências do total registrado em seis meses tem a ver com o crime de estelionato, classificado como uma vantagem ilícita obtida em prejuízo de terceiros por meio fraudulento. 

Para o delegado Zuliani, quem acessa sites de vendas deve estar atento ao que é anunciado, principalmente em relação aos baixos preços. “Hoje existem mecanismos de pesquisa na internet para saber se um site não é fraudulento. O usuário pode procurar a página SaferNet, o Reclame Aqui, e ver se o site não está sendo questionado pelas pessoas”, sugere. 

Ele também alerta para o cuidado com o recebimento de mensagens de texto, o SMS. “Criminosos utilizam essa técnica para obter dados bancário e depois furtar o dinheiro da conta. Os bancos não pedem, por meio de mensagens, o recadastramento de conta”.

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