Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
12/06/19 às 18h48 - Atualizado em 13/06/19 às 13h58

ūü•Ą#MetaaColher: “√Č preciso compartilhar qualquer situa√ß√£o de viol√™ncia”

COMPARTILHAR

 

Adriana Machado, da Ascom SSP/DF

 

Lan√ßada em maio pela Secretaria de Seguran√ßa P√ļblica do Distrito Federal (SSP/DF), a campanha #MetaaColher, tem o objetivo de convidar a sociedade a repensar se “em briga de marido e mulher n√£o se mete a colher”. O projeto busca expor o papel de responsabilidade de cada cidad√£o como engrenagem importante na cruzada contra o feminic√≠dio.

 

Com o slogan ‚ÄúA melhor arma contra o Feminic√≠dio √© a colher‚ÄĚ, o movimento se pauta em estat√≠sticas levantadas pela C√Ęmara T√©cnica de Monitoramento de Homic√≠dios e Feminic√≠dios (CTMHF), da SSP/DF.

 

Como parte da campanha, convidamos a titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), delegada Sandra Melo, para uma entrevista esclarecedora e sobre o que é a violência contra a mulher, como identificá-la e o papel de cada um na luta contra a feminicídio. Confira a entrevista na íntegra:

 

 

Como é possível identificar um relacionamento abusivo?

РA violência contra a mulher possui uma variante que impacta bastante em seu enfrentamento, que é a relação de afeto ou de parentesco da vítima e do autor. Isso compromete muito a percepção da mulher que está vivenciando um relacionamento afetivo ou familiar abusivo. A primeira coisa a ser observada por esta mulher é se as vontades delas estão sendo respeitadas por este possível agressor. Ela precisa avaliar se ela não está se comportando sob o olhar desta pessoa.

 

A atitude de controle que o agressor costuma ter em rela√ß√£o √† mulher, como proibir certas atitudes, ou de usar certas roupas, geralmente vem acompanhada ou seguida de agress√Ķes morais, como xingamentos, ofensas e desqualifica√ß√£o √† condi√ß√£o desta mulher.

 

Este √© um facilitador para comprometer a autoestima, o que diminui a capacidade de reagir aos problemas. Infelizmente, o passo seguinte s√£o agress√Ķes f√≠sicas, que podem come√ßar com empurr√Ķes, pux√Ķes de cabelo. A tend√™ncia √© que essas agress√Ķes progridam.¬†

 

Qual a forma mais eficaz de cessar essa violência?

– N√£o s√≥ a den√ļncia, mas o compartilhamento do que esta mulher est√° vivenciando com pessoas pr√≥ximas ou parentes. Quando falamos em den√ļncia, a v√≠tima j√° leva em considera√ß√£o que o agressor ser√° preso e o la√ßo afetivo que ela tem √© um comprometedor.

 

Em outros crimes, a v√≠tima √© a primeira a querer colaborar, mas nestes casos, a mulher acaba tendo muitas incertezas, inclusive se o que ela est√° vivendo trata-se de uma viol√™ncia. Ent√£o, prefiro colocar que primeiro ela compartilhe a situa√ß√£o pela qual ela est√° passando e os perigos que ela corre. √Č importante que, ao compartilhar esta informa√ß√£o, esta mulher n√£o passe por nenhum julgamento. O que precisamos fazer √© ajud√°-la a tomar a decis√£o que ela est√° preparada para tomar.

 

Se ela estiver pronta para denunciar, as delegacias do Distrito Federal est√£o preparadas para receber o relato. Caso ela esteja insegura, ela pode procurar outros servi√ßos multidisciplinares do Governo do Distrito Federal, que contam com apoio jur√≠dico, psicol√≥gico e social at√© que ela fa√ßa a den√ļncia, que precisa ser o quanto antes.

 

De que forma a Polícia Civil tem apoiado as vítimas de violência?

– A PCDF, que foi a segunda institui√ß√£o no pa√≠s a criar uma delegacia de atendimento √† mulher, tem realizado ao longo desses anos a√ß√Ķes para que a mulher seja melhor atendida em suas delegacias.

 

Exemplo disso é a determinação da corregedoria da instituição de que todas as delegacias adotem protocolos padronizados e façam mais que o serviço policial, mas principalmente dê atenção à forma que esta mulher será recebida em nossas delegacias.

 

Trabalhamos em tr√™s perspectivas: no acolhimento cuidadoso e paciente, na divulga√ß√£o dos servi√ßos e canais de den√ļncia da PCDF por meio de campanhas e discutimos, junto dos √≥rg√£os da rede de prote√ß√£o, novas a√ß√Ķes e no sentido de coibir qualquer tipo de viol√™ncia contra a mulher.

 

Existe algum projeto dentro da instituição que tem como objetivo auxiliar as vítimas de violência após o registro nde ocorrência?

A PCDF tem a preocupação de estar além do trabalho polícia, que é investigar o crime e entregar as provas da autoria e materialidade. Entendemos que nossa missão é ainda maior.

 

Temos alguns projetos, como o Lidera, em que lideran√ßas comunit√°rias s√£o capacitadas para ajudar e orientar mulheres, tanto na preven√ß√£o do crime quanto na busca por ajuda. √Č um projeto que vai ao encontro da campanha da Secretaria de Seguran√ßa, o #MetaaColher.

 

Assinamos também um termo de cooperação com o UniCeub para atendimento jurídico e psicológico gratuitos que são feitos na DEAM o Projeto Transforma. Desta forma, podemos damos apoio a esta mulher quando ela nos procura para denunciar um crime. No mesmo projeto, atendemos também os agressores, de forma voluntária. Esta é uma forma de diminuir a tensão e que ele explicar a ele o que está ocorrendo e o sofrimento q ele causou. Queremos também ouvi-lo e explicar as consequências de seus atos.

 

A violência contra a mulher é um problema apenas da vítima?

– Essa quest√£o deixou de ser um problema privado, apesar da maioria dos crimes acontecerem dentro da resid√™ncia das v√≠timas. Estes crimes impactam em toda a sociedade. Ent√£o, somente conseguiremos reduzir o n√ļmero de feminic√≠dios quando todos entenderem que devemos sim #MeteraColher. Esta √© uma forma de dizermos a toda a sociedade que n√£o iremos mais tolerar que as mulheres sejam agredidas ou sejam mortas.

 

Edição: Lanna Morais