Governo do Distrito Federal
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15/01/21 Ă s 11h10 - Atualizado em 15/01/21 Ă s 23h18

đŸššđŸ€”Conseguimos unir ainda mais as forças de segurança”

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Adriana Machado e JoĂŁo Roberto, da Ascom – SSP/DF

 

Foto: Divulgação/SSP

 

Em entrevista à AgĂȘncia BrasĂ­lia, o secretĂĄrio de Segurança PĂșblica do DF, Anderson Torres, discorre sobre a metodologia de trabalho praticada em sua pasta para combater a criminalidade no DF. Os Ă­ndices tĂȘm se revelado positivos – sĂł em 2020, foi registrada a menor taxa de homicĂ­dios dos Ășltimos 41 anos.

 

Ainda no ano passado, tambĂ©m foi constatada uma redução de 8,6% nos chamados CVLIs – crimes violentos letais intencionais –, indicador que exibe a menor taxa em mais de duas dĂ©cadas.

 

Para o secretĂĄrio, o trabalho conjunto das forças de segurança do DF Ă© o responsĂĄvel pela diminuição desses Ă­ndices – o que sinaliza o compromisso da atual gestĂŁo do GDF com a segurança de toda a população.

 

Anderson Torres destaca, entre outras iniciativas, o programa DF Mais Seguro, que reĂșne projetos fundamentais para a sociedade. “Vamos trabalhar de forma cada vez mais especĂ­fica nas regiĂ”es, quadras, ruas, becos e vielas”, garante o secretĂĄrio.

 

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.

 

A que o senhor atribui as reduçÔes expressivas de criminalidade este ano no Distrito Federal?

Na SSP [Secretaria de Segurança PĂșblica], trabalhamos sempre com planejamento, estipulação de metas, monitoramento e avaliação de resultado. Tudo o que fazemos Ă© com base em estudo e estratĂ©gia. Superamos a marca de 2019 e tivemos a menor taxa de homicĂ­dios dos Ășltimos 41 anos. Houve redução de 8,6% nos crimes violentos letais intencionais (CVLIs), a menor taxa em 21 anos. Isso significa 40 vidas salvas ano passado.

 

Os crimes contra o patrimÎnio, principais responsåveis pela sensação de insegurança, caíram quase 40%. Ou seja, mais de 30 mil roubos e furtos deixaram de acontecer. Apesar do aumento da população e da redução do efetivo, conseguimos unir ainda mais as forças de segurança em açÔes conjuntas com outros órgãos.

 

Cabe destacar o excelente trabalho realizado pelos profissionais de segurança pĂșblica do DF. Sem o empenho e profissionalismo de cada um, nĂŁo terĂ­amos chegado a esse resultado. Se houvesse uma palavra para resumir nosso trabalho, eu diria “integração”. Aliado a tecnologia e inteligĂȘncia, trabalhar de forma integrada vem sendo nosso grande diferencial desde 2019.  A redução desses Ă­ndices significa mais qualidade de vida para a população e estĂĄ em consonĂąncia com a orientação do governador Ibaneis Rocha, que Ă© transformar o DF em um local cada vez mais seguro.

 

Quais sĂŁo os principais projetos para que esses nĂșmeros continuem em queda?

Continuar garantindo mais segurança e qualidade de vida para a população. Vamos trabalhar de forma cada vez mais especĂ­fica nas regiĂ”es, quadras, ruas, becos e vielas. Para isso, iniciamos no ano passado o programa DF Mais Seguro, que agrupa diversos projetos importantes com respostas cada vez mais diretas e objetivas para a sociedade. Um deles Ă© o Cidade da Segurança PĂșblica, iniciado no final do ano passado em Planaltina. Foi uma oportunidade nos aproximarmos e conhecermos, de perto, as necessidades da comunidade e os anseios dos agentes de segurança pĂșblica que atuam na linha de frente nessas regiĂ”es. Assim, podemos desenvolver polĂ­ticas de segurança pĂșblicas mais precisas.

 

“Vamos trabalhar de forma cada vez mais especĂ­fica nas regiĂ”es, quadras, ruas, becos e vielas”

 

Diferentemente da média do país, o DF obteve reduçÔes expressivas nos feminicídios. Quais foram as medidas que contribuíram para isso?

A redução desses casos, ano passado, foi grande, de quase 50%. Isso mostra que as estratĂ©gias de prevenção tĂȘm surtido efeito e sĂŁo essenciais nesse processo. Vamos continuar estudando a dinĂąmica desses crimes, fortalecendo os canais de denĂșncia e capacitando os profissionais de segurança pĂșblica nas polĂ­ticas de enfrentamento Ă  violĂȘncia domĂ©stica e familiar com base na Lei Maria da Penha e outras temĂĄticas.

 

Os feminicĂ­dios passaram a ser prioridade na minha gestĂŁo, e, com o cenĂĄrio de pandemia, ampliamos os canais de denĂșncia e o atendimento a essas vĂ­timas. Inauguramos uma nova Delegacia de Atendimento Ă  Mulher [Deam], abrimos a possibilidade de registros on-line e aumentamos as visitas do programa de Prevenção Orientada Ă  ViolĂȘncia DomĂ©stica [Provid], da PolĂ­cia Militar, que realizou, em todo o ano passado, mais de 13 mil visitas a vĂ­timas de violĂȘncia domĂ©stica.

 

50%percentual médio de redução dos feminicídios, em 2020

 

Como estĂĄ o DF em relação a outras unidades da Federação na questĂŁo da segurança pĂșblica?

Ano passado, o Distrito Federal foi destaque entre as unidades da Federação, de acordo com instituiçÔes independentes e imprensa. No primeiro semestre de 2020, fomos a unidade da Federação com o menor nĂșmero de homicĂ­dios de mulheres, de acordo com o Monitor da ViolĂȘncia – parceria do G1, USP e FĂłrum Brasileiro da Segurança PĂșblica.

 

Nesse mesmo perĂ­odo, atingimos a terceira menor taxa de homicĂ­dios, de acordo com o Atlas da ViolĂȘncia, do FĂłrum Brasileiro da Segurança PĂșblica. No Ranking da Competitividade dos Estados, o pilar segurança pĂșblica subiu trĂȘs posiçÔes e colocou o DF como terceiro lugar geral no Brasil. Cabe ressaltar, ainda, que fomos destaque nacional na elucidação de crimes violentos contra a vida. Identificar e prender autores foi muito importante para a redução das vĂ­timas de crimes contra a vida no DF.

 

Ano passado, houve uma redução expressiva nos índices criminais. Como serå o desafio de superar 2020?

O desafio serĂĄ maior, com certeza. Ano passado, tĂ­nhamos como meta superar o recorde histĂłrico da menor taxa de homicĂ­dio dos Ășltimos 35 anos. Superamos e temos agora a menor taxa em 41 anos. As chaves para esse ano sĂŁo planejamento, integração e tecnologia.

 

Temos o programa DF Mais Seguro, composto pelos projetos Cidade da Segurança PĂșblica, Área de Segurança Integrada, o Videomonitoramento e o Atendimento de EmergĂȘncia. Ele vai nortear nossas açÔes pelos prĂłximos dois anos. Vamos aperfeiçoar ainda mais nossos mecanismos de gestĂŁo, tornando-os cada vez mais eficientes. Tenho certeza que essas açÔes vĂŁo refletir nĂŁo sĂł nos nĂșmeros, mas na qualidade de vida da população do DF, que Ă© nosso principal objetivo.

 

O senhor acha que a pandemia pode ter interferido na redução dos crimes este ano?

NĂŁo hĂĄ nenhum estudo conclusivo sobre o assunto. Desde 2019, atĂ© os trĂȘs primeiros meses de 2020, a maior parte dos crimes jĂĄ estava em queda. AlĂ©m disso, a criminalidade nĂŁo parou com a pandemia. Quando a dinĂąmica social mudou, devido ao cenĂĄrio pandĂȘmico, sabĂ­amos da possibilidade de migração do crime, ou seja, alguns poderiam deixar de acontecer e outros poderiam ocorrer com mais frequĂȘncia.

 

Tivemos que nos antecipar e criar novas formas de atuação, levando em conta todas os riscos devido à Covid-19, sem comprometer o atendimento à sociedade. Além disso, a produtividade policial aumentou, pois, com a proibição de shows e eventos, foi possível concentrar esforços no policiamento e no atendimento à sociedade.

“Tivemos que nos antecipar e criar novas formas de atuação, levando em conta todas os riscos devido à Covid-19, sem comprometer o atendimento à sociedade”

 

Sabemos que os crimes relacionados Ă  violĂȘncia contra a mulher sĂŁo prioridade na sua gestĂŁo.  Quais medidas estĂŁo sendo adotadas e quais os planos para ampliar a proteção das vĂ­timas em 2021?

A violĂȘncia domĂ©stica Ă© um problema sĂ©rio, grave, que deve ser discutido, enfrentado por toda a sociedade. Mesmo fortalecendo e ampliando os canais de denĂșncia, o que poderia ocasionar aumento dos registros, fechamos o ano com queda de mais de 5% nos crimes relacionados Ă  Lei Maria da Penha. Fortalecer o trabalho integrado entre os diversos ĂłrgĂŁos de governo e sociedade civil relacionados Ă  questĂŁo da mulher foi essencial para a redução desse tipo de crime. É preciso incentivar e facilitar ainda mais a denĂșncia e garantir o suporte Ă s vĂ­timas. Denunciar permite que a polĂ­cia, a Justiça e o Estado atuem, inibindo e interrompendo o ciclo da violĂȘncia, impedindo que casos de agressĂŁo se tornem mais graves.

 

O uso da tecnologia para ampliar e integrar cada vez mais os canais de denĂșncia tambĂ©m serĂĄ importante para melhorar o tempo de resposta do Estado para esses casos.

 

Recentemente, foi encaminhada Ă  PresidĂȘncia da RepĂșblica a relação de emendas que ficaram fora da medida provisĂłria que garantiu o reajuste dos profissionais da segurança pĂșblica do DF. Que tipo de benefĂ­cios essas emendas trarĂŁo para o DF? HaverĂĄ mais gastos?

SĂŁo pleitos necessĂĄrios para reorganizar e tornar mais dinĂąmica a estrutura administrativa das forças de segurança. E sem gasto extra. A sociedade muda, a criminalidade muda, a realidade polĂ­tica e econĂŽmica muda. Por isso, a segurança pĂșblica tambĂ©m precisa se ajustar a essas evoluçÔes. Cumprimos o compromisso de garantir o reajuste das forças no inĂ­cio do ano e nos comprometemos a enviar as emendas em outro momento. Agora vamos continuar acompanhando para que elas sejam enviadas e aprovadas pelo Congresso Nacional.

 

“A sociedade muda, a criminalidade muda, a realidade polĂ­tica e econĂŽmica muda. Por isso, a segurança pĂșblica tambĂ©m precisa se ajustar a essas evoluçÔes”

 

As forças de segurança tĂȘm sofrido com a perda de efetivo nos Ășltimos anos. Como a SSP pretende lidar com essa situação?

Apesar das limitaçÔes de orçamento, temos trabalhado junto ao governo para recompor o quadro das forças de segurança. Foram nomeados, desde 2019, quase trĂȘs mil profissionais de segurança pĂșblica. Desses, cerca de dois mil foram policiais militares. Para este ano, estamos aguardando a liberação do concurso para agente da polĂ­cia civil, que estĂĄ suspenso.

 

Mesmo com a redução de efetivo e com o aumento da população nos Ășltimos anos, temos conseguido reduzir os Ă­ndices criminais no DF. Parte dessa conquista se deve ao aperfeiçoamento dos processos de gestĂŁo de recursos, uso de tecnologia e inteligĂȘncia e, principalmente, da dedicação dos profissionais de segurança pĂșblica que estĂŁo nas ruas todos os dias em defesa da sociedade.

 

O trabalho integrado é o forte desta gestão. Como o senhor avalia a atuação das forças de segurança, individualmente, ano passado?

Superaram nossas expectativas, mesmo com a necessidade de fazer frente aos bons nĂșmeros de 2019. NĂłs nĂŁo paramos durante a pandemia. Em todo o ano passado, por exemplo, a PolĂ­cia Civil registrou 205 mil ocorrĂȘncias presenciais e outras 126 mil por meio da Delegacia EletrĂŽnica. O total de adultos presos e menores apreendidos por cumprimento de mandados e em flagrante chegou a 8 mil. Os inquĂ©ritos instaurados por desrespeito Ă  Lei Maria da Penha chegaram a 5,2 mil.

 

353 mil ocorrĂȘncias policiais foram originadas, em 2020, de 450 atendimentos pelo canal 190

 

Outro dado relevante, que impactou diretamente na redução dos crimes, foi a prisĂŁo de 209 pessoas envolvidas com o crime organizado. Quase quatro mil armas – entre revĂłlveres, armas brancas e simulacros – foram retiradas de circulação pela PolĂ­cia Militar. Dessas, 1,6 mil eram armas de fogo. Isso implica diretamente a redução dos crimes violentos. Chama atenção o tempo mĂ©dio de atendimento de emergĂȘncia da corporação, que chegou a 8 minutos entre o acionamento e a chegada ao local. Durante o ano, foram feitos quase 450 mil atendimentos por meio do 190; desse total, 353 mil viraram ocorrĂȘncias policiais.

 

23,7 milNĂșmero de atendimentos em operaçÔes de busca e salvamento do CBMDF no ano passado

 

O Corpo de Bombeiros [CBMDF] teve um importante papel no atendimento direto Ă  sociedade. Ano passado, a instituição combateu 12,3 mil incĂȘndios em edificação e florestais. A operaçÔes de busca e salvamento chegaram a 23,7 mil atendimentos. AlĂ©m de cursos e capacitaçÔes para outros estados, os militares participaram do combate ao incĂȘndio no Pantanal, entre outras operaçÔes de destaque no paĂ­s. Cabe destacar, ainda, a atuação do Detran, que reduziu em 45% os acidentes fatais nas vias urbanas do Distrito Federal ano passado. Mesmo com a pandemia, a fiscalização, a engenharia e educação de trĂąnsito continuaram. Foi criado, ainda, o aplicativo Detran Digital, com o objetivo de dar mais agilidade aos atendimentos Ă  população.