Governo do Distrito Federal
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8/05/20 às 11h14 - Atualizado em 8/05/20 às 13h02

🚨😷Transferência para a Papuda começa a ser feita para novos CDPs

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Adriana Machado, da Ascom – SSP/DF

 

 

A partir desta sexta-feira (8), a transferência de presos da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), para o Complexo Penitenciário da Papuda, passa a ser feita para o bloco destinado exclusivamente para quarentena. O bloco – com 200 vagas – faz parte da estrutura dos novos Centros de Detenção Provisória (CDPs) com inauguração prevista para este ano. A ocupação antecipada das novas instalações foi possível após tratativas com a empresa responsável pela construção.

 

“Após a inauguração completa da obra, serão criadas 3,2 mil novas vagas distribuídas em dezesseis módulos de vivência mais modernos e com capacidade para 200 internos cada um. Como a obra está muito adiantada, foi possível antecipar a utilização das dependências e destinarmos o espaço para o período a ser respeitado, antes dos presos serem colocados junto da massa carcerária”, contou o secretário de Segurança Pública, o delegado Anderson Torres.

 

O período de quarentena passou de 14 para 21 dias. A extensão do prazo faz parte de uma nova orientação da Secretaria de Saúde (SES). “Intensificamos as medidas na entrada dos novos presos para o Sistema. Ao chegar, todos passam por uma triagem, realizada por equipe composta por médicos, enfermeiros e outros profissionais da área, como já ocorre no Centro de Detenção Provisória (CDP) e Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF). Finalizando o período, os presos serão realocados no Centro de Detenção Provisória antigo, juntos dos demais internos”, explicou o subsecretário do Sistema Penitenciário, Adval Cardoso.

 

Semanalmente, cerca de 130 custodiados são transferidos. Até a última semana, as transferências de pessoas presas em todo o Distrito Federal – homens e mulheres – saíam da DCCP e seguiam direto para o CDP – que abriga internos recém-chegados ao Sistema Penitenciário do DF – e para PFDF. Com a nova medida, antes de serem colocados em alas comuns, ficarão no bloco do novo CDP. As mulheres presas continuam a serem alocadas diretamente na PFDF.

Na quinta-feira (7), o outro bloco – também com duzentas vagas – foi ocupado pelos presos em tratamento por terem sido contaminados pelo novo coronavírus e também aqueles em isolamento, com suspeita da doença.

Os reeducandos diagnosticados com o vírus, e que não estejam graves, de todas as unidades prisionais foram transferidos para o bloco. O deslocamento foi feito pela Diretoria Penitenciária de Operações Especiais (DPOE), grupo de elite da SESIPE.

 

A transferência dos internos começou pela Penitenciária do Distrito Federal I (PDF I), onde há maior número de contaminados. “Nenhum interno acometido pela doença, ou com suspeita, permanecerá nos demais presídios. Esta é mais uma medida para conter a contaminação no ambiente carcerário”, explicou o subsecretário do Sistema Penitenciário, o delegado Adval Cardoso.

 

Estrutura

Os dois novos blocos funcionarão com estrutura, viaturas, direção e recursos humanos próprios. Haverá escalas de plantão e servidores no horário de expediente, das 9h às 16h.

Todos os policiais penais que prestarão serviço nas novas instalações foram orientados quanto à necessidade de reforçarem as medidas de segurança, pois irão trabalhar em ambiente específico para o tratamento da COVID-19, como afirma Adval. “Eles deverão seguir de forma criteriosa os protocolos específicos para o ambiente penitenciário e utilizarem os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) de forma correta”.

Para facilitar a limpeza e desinfecção do ambiente em que os plantonistas descansam, os colchões terão capas de couro.

 

Desinfecção diária
Outra medida importante é a desinfecção de pátios das novas unidades antes de serem utilizados. A medida foi adotada nas demais unidades prisionais, mas será reforçada no nos novos ambientes.

 

Máscaras
Durante a visita aos novos blocos, nesta semana, o governador Ibaneis Rocha determinou que 30 mil máscaras fossem entregues para servidores e apenados nos próximos dias. Cada pessoa receberá duas unidades.

 

Limpeza nos presídios
Uma das medidas indicadas pelos órgãos oficiais de saúde para conter a disseminação do novo coronavírus é a desinfecção de ambientes com uso de Hipoclorito de Sódio. A partir desta semana, a Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) passou a fazer a assepsia de celas, viaturas e prédios da administração e da parte externa dos presídios por meio de sua Gerência Obras e Reparos (Geor). A ação será repetida semanalmente.

 

A desinfecção é realizada pelos próprios sentenciados, que recebem Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado e instruções para a realização do serviço. “Um equipe da própria subsecretaria fazendo a assepsia nos permite realizar um número maior de ações nas unidades prisionais. A mão de obra já especializada, ou seja, já realizavam a mesma ação mas direcionada para o combate da dengue. Desta forma, trocamos o produto que utilizávamos”, contou o gerente da Geor, Willian Pereira.

 

O material utilizado para a desinfecção de viaturas é diferente. O produto melhor indicado é o álcool vaporizado.

 

A equipe é composta por quatro reeducandos do regime aberto. Eles participam de ações fora das unidades prisionais – como prédio da Sesipe, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e do Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB).

 

Nas unidades prisionais é necessário utilizar a mão de obra de internos classificados para o trabalho sem saída externa, pois não é permitido levar reeducandos de uma unidade para outra. “Nos presídios, contamos com a mão de obra de internos que já desenvolviam alguma atividade laboral. Eles recebem o EPI e as instruções necessárias e realizam o serviço sob minha coordenação, que acompanha todo o procedimento”, explicou Willian.

 

Hospital de campanha
Após o cenário pandêmico atual cessar, o hospital de campanha que está sendo construído para atender internos acometidos pela Covid-19, ficará como legado para o sistema penitenciário local. Ou seja, a estrutura será utilizada para tratamentos, evitando, assim, escoltas hospitalares e ocupação em hospitais da rede pública de saúde.

 

“Diariamente, precisamos fazer escoltas para hospitais. Com o hospital no próprio Complexo da Papuda, vamos reduzir o número de escoltas, podendo, assim, reduzir custos e direcionar os policiais penais para outras ações”, explicou o subsecretário do Sistema Penitenciário, Adval Cardoso.

 

No local, que de cordo com informações da Secretaria de Saúde, serão dez leitos de suporte avançado e 30 de enfermaria para a população carcerária com Covid-19, será possível realizar procedimentos médicos, como pequenas cirurgias.

 

Edição: Lanna Morais