Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
10/02/20 Ă s 15h14 - Atualizado em 10/02/20 Ă s 15h19

âœ‹đŸ‘©Mais de 90% dos casos de feminicĂ­dios foram desvendados

COMPARTILHAR

AgĂȘncia BrasĂ­lia

 

Era noite de sexta-feira quando o delegado-chefe da 31ÂȘ DP de Planaltina, FabrĂ­cio Augusto Paiva, preparava-se para jantar e recebeu uma ligação. Uma mulher havia desaparecido na cidade e a famĂ­lia suspeitava de sequestro. Imediatamente, ele voltou para a delegacia, reuniu sua equipe de plantĂŁo, acionou a DivisĂŁo de RepressĂŁo a Sequestros e iniciou ali um plano de varredura e diligĂȘncias na maior regiĂŁo administrativa do Distrito Federal. Em menos de 18 horas, a PolĂ­cia Civil do Distrito Federal (PCDF) chegava a MarinĂ©sio Olinto, o cozinheiro acusado de violentar vĂĄrias mulheres – e matar pelo menos duas.

 

A resposta ĂĄgil na apuração do caso de feminicĂ­dio e estupro em Planaltina se soma a outras açÔes da PolĂ­cia Civil na resolubilidade de crimes. De janeiro de 2019 a fevereiro de 2020 foram registrados 37 casos de violĂȘncia com morte de mulheres. Destes, 92% foram solucionados, uma eficĂĄcia que coloca o trabalho de excelĂȘncia da PCDF como um dos melhores do paĂ­s. O Ă­ndice Ă© superior Ă  mĂ©dia de resolubilidade de feminicĂ­dios desde que o crime foi tipificado, em março de 2015, que Ă© de 86% das 109 ocorrĂȘncias.

 

Mas nĂŁo Ă© sĂł a eficiĂȘncia na apuração de violĂȘncia contra as mulheres que destaca o policiamento da capital. A morte do padre Cassimiro, na Asa Norte; o assassinato de uma jovem no altar de uma igreja na CandangolĂąndia; e a prisĂŁo em tempo recorde dos assassinos de um motorista de aplicativo na Granja do Torto se somam a outros crimes de igual ou menor complexidade, dando respostas rĂĄpidas Ă  população.

 

Foto: AgĂȘncia Brasil/Arquivo

No ano passado, a PCDF traçou um plano de elucidaçÔes das infraçÔes penais no DF. Aprimorou, por exemplo, a qualidade dos procedimentos de investigação, modernizou as tĂ©cnicas de apuração, investiu na inteligĂȘncia policial e reforçou as parcerias entre as delegacias (circunscricionais e especializadas) da capital.

 

Mobilização
No caso de Planaltina, pelo menos 60 policiais civis foram envolvidos nas investigaçÔes ouvindo testemunhas, reconstituindo as possĂ­veis rotas de passagem da vĂ­tima e verificando imagens de cĂąmeras de circuitos de TV. Em 70 horas o assassino de LetĂ­cia Sousa confessou o crime, identificou onde deixara o corpo da vĂ­tima e pĂŽs fim a um dos casos de violĂȘncia de grande repercussĂŁo no Distrito Federal.

 

“O imediatismo e a percepção de que algo grave estava acontecendo nos fizeram identificar rapidamente o modelo do veĂ­culo usado no crime e, na sequĂȘncia, localizar o criminoso. Foi um trabalho incansĂĄvel e com resultados positivos”, declara o delegado FabrĂ­cio Paiva.

 

Resultados
Um crime solucionado com brevidade não é só uma resposta à impunidade como um alento à família das vítimas de crimes. Entender o que se passou com um ente querido não diminui a dor, mas minimiza o desespero por uma resposta. Foi o caso de Kaio Fonseca, marido de Letícia Kurado, morta por Marinésio em Planaltina. Foi ele o primeiro a procurar a polícia civil na noite de 23 de agosto de 2019.

 

O rapaz acompanhou de perto as investigaçÔes e colaborou com a polĂ­cia atĂ© que o corpo de sua mulher foi encontrada. “Eu fiz o boletim de ocorrĂȘncia por volta das 19h e, pelo que sei, no dia seguinte, Ă s 14h, o assassino jĂĄ estava preso. A PolĂ­cia Civil, alĂ©m de extremamente cuidadosa comigo, foi eficiente e eficaz”, declarou Kaio à AgĂȘncia BrasĂ­lia.

 

A Secretaria de Segurança PĂșblica do Distrito Federal fechou o ano de 2019 com Ă­ndices histĂłricos, de acordo com o secretĂĄrio Anderson Torres. À frente da pasta desde o inĂ­cio da gestĂŁo do governador Ibaneis Rocha, ele lembra que o Distrito Federal registrou a menor taxa de homicĂ­dios dos Ășltimos 35 anos – e o menor nĂșmero de vĂ­timas dos Ășltimos 25.

 

“Resultados assim sĂŁo fruto de um forte trabalho integrado das forças de segurança do DF. E a contribuição da PolĂ­cia Civil, honrando seu lema de ‘excelĂȘncia na investigação’, assegura que, aqui no DF, aquele que comete um crime, pode ter a certeza de que serĂĄ alcançado pela lei.”

 

Adrenalina
Delegado da 2ÂȘ DP, na Asa Norte, LaĂ©rcio Rossetto esteve Ă  frente das investigaçÔes que desvendou as mortes do padre Cassimiro e do jovem motorista MaurĂ­cio Cuquejo. Nos dois casos, assim que os crimes foram informados pela Central de InvestigaçÔes Ă  delegacia, uma rĂĄpida mobilização foi iniciada.

 

No primeiro caso, Rossetto chegou a ficar 30 horas sem dormir. Em quatro dias, trĂȘs dos quatro autores jĂĄ estavam presos. No segundo caso, em 7 horas, dois criminosos foram detidos e estavam prontos para fugir. “O tempo Ă© nosso inimigo. Com ele, as provas somem, as testemunhas se esquecem de detalhes, as filmagens se auto apagam
”, observa ele, para quem a parceria com diversas unidades da PolĂ­cia .

 

“O empenho da equipe, aliado ao profissionalismo, ao comprometimento e ao espĂ­rito de grupo dos envolvidos nas investigaçÔes tĂȘm nos feito dar respostas rĂĄpidas na elucidação de crimes, mandando para a cadeia os infratores e tranquilizando as famĂ­lias das vĂ­timas que buscam por justiça”, observa Rosseto.

 

No Ășltimo ano, o nĂșmero de homicĂ­dios registrados pela PolĂ­cia Civil caiu 12,99% de janeiro a novembro, comparado ao mesmo perĂ­odo de 2018. Dos 39.303 inquĂ©ritos instaurados em 2019, 36.303 passaram por diligĂȘncias e foram enviados ao JudiciĂĄrio com informaçÔes relevantes para que pudessem ser julgados.